domingo, 9 de outubro de 2011

Bolas de sabão e a alegria das coisas inuteis

Desde que voltei com um frasco do homem aranha de bolas de sabão, colocado na bolsa por distração, da festa de aniversário do filho de um ex namorado, comecei minha experiência de encantos inúteis.
Amo bolas de sabão, sempre amei. Acho que pelo mesmo motivo que amo as borboletas. Adoro o jeito leve e suave delas, a forma perfeita, o vôo errante, sua poesia.
Então, não sei bem por que, resolvi ir a minha janela todos os dias e soprar bolas de sabão no mundo.
Que delicia!
Quanto mais me perguntava para quê ou para quem estava a fazer aquilo, e menos respostas razoáveis encontrei, mais meu coração se esquentou.
Seu destino depende das correntes de ar: elas podem voar alto e durante muito tempo, se livres (sabiam?)
ou podem explodir em segundos no encontro com uma solidez qualquer.
Gosto de imaginar que meus vizinhos também se encantam com a visão inesperada delas contra o céu de suas paisagens.
Outras vezes torço muito para que o vento as leve até o patio da escola que mora ao meu lado pra que elas brinquem com seus alunos, sempre em movimento.
Tenho me deleitado com esse ritual diário de inutilidade.
É que percebi que esse vazio de utilidade do meu gesto é recheado de generosidade - não serve mesmo pra nada, só pra enfeitar o céu: o meu, o seu, o nosso.
E foi, então, que acho que entendi um pouquinho o que é a arte.

Acho que aprendi um pouco disso, sem saber que tinha aprendido, com Manoel de Barros, pra quem derramo minha admiração profunda: pra ele que se diz um grande fazedor do nada.

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